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domingo, dezembro 04, 2016

Rewind.

Por vezes, descobrimos aquela música que nos faz apenas sentir.

descobrimo-la por acaso, ao ver um quaquer programa na tv ou prescrutando a rádio ao acaso e ela simplesmente

surge.

Pensamos "parece que foi de propósito" e talvez tenha sido. Provavelmente foi porque, quando damos por nós,
os joelhos começam a deambular sozinhos e aleatoriamente; a cabeça começa a exercer um movimento
repetitivo e ritmico

ao som da memória que descobrimos

fechamos os olhos e é como se fossêmos materializados noutro mundo, para um qualquer sonho de uma noite mal dormida
em que conseguimos tão-somente

sentir
como se tivéssemos acabado de nascer e não soubéssemos nada deste mundo

ou de outros.

Simplesmente sabemos, naqueles minutos de puro ardor e alegria, como se sentem as mãos ao passar pelos girassóis que se estendem
pela memória, sabemos o toque na pele das temperaturas amenas de primaveras em que conseguimos sentir o amor
tao puro

como se quase fosse proibido de existir.

nesse instante, já todas as células que compõem a nossa derme vibram e chocam entre si;
já os nossos dedos batem violentamente na superficie que se nos depara - seja ela qual for -

e mantemos os olhos fechados, segurando o cigarro desajeitadamente, para que aquele tão-especifico momento, tão fugaz, não se
nos escape tão rápido como a nossa saborosa adolescência.

eis que a música termina apenas para recomeçar, como um rewind que é imperativo fazer

para poder escrever, mais uma vez, a falta que o amor faz quando sussurado aos ouvidos.

Listening to: Ludovico Einaudi - Experience

2 comentários:

Anónimo disse...

A falta que o amor faz... a pele, o toque, o cheiro...
Eu é mais cinema. Acredito que ouvimos, vemos, lemos aquilo que temos de ouvir, ver, ler. E isso é que nos faz sentir e seguir em frente. Não posso dizer que partilhe do cigarro.
Em resumo, fome na alma coisa nenhuma acalma (uma pérola de sabedoria da internet, mas também uma grande verdade)!

Anónimo disse...

Forward always