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segunda-feira, março 02, 2009

Born old.

por vezes todos sabemos que precisamos do silêncio para sobreviver. precisamos da solidão para podermos olhar para nós próprios e saber quem somos, que somos algo mais que uma imagem desfocada no espelho enquanto nos afastamos dali.

olhamos estradas vazias e nocturnas como se não tivessem fim. pensamos que temos um destino a cumprir, que há algo de maior que nos conduz a um sítio que não sabemos onde é e terminamos sem saber como lá chegar.

paradise lost.

as músicas repetem-se nos ouvidos e assomam-se às pálpebras imagens ténues de rostos e de gentes. e é quando pensamos em tudo isto que notamos que nunca é tarde ou cedo demais para fazer algo que nunca fizemos:

podemos escrever mensagens na estrada para toda a gente ver e questionarem-se para quem será, ao mesmo tempo que esse alguém abre uma janela num 4º andar e olha, surpresa, para aquelas letras a verde, que lhe arrebatam o espírito - então, tinha um significado. agora, já o tempo apagou tudo isso.

voltamos ao presente, numa sala em silêncio - sim, porque precisamos do silêncio para nos sentirmos a nós próprios - e damos por nós a escrever e a recordar Rainer Maria Rilke que dizia algo como "acima de tudo, na hora mais silenciosa da noite, pergunte a si próprio: tenho de escrever?": sim, temos de escrever porque não há outro modo de sentir.

cigarros. o seu cheiro nas mãos é inconfundível e indissociável daquilo que somos. tal como as tatuagens. obrigam-nos a olhar para dentro, apesar de estarem sobre a pele, ou entre ela. aí, notamos a necessidade emergente que se enclausurou, em tempos, nos resquícios do peito e que procura, ainda hoje, um striptease entre dois amantes cujas conversas são poemas inacabados à espera de uma noite eterna.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Caros,

Infomo que já se encontra disponível para compra o livro Outros dias existem muitos. Poderão adquirir online o mesmo, carregando aqui. O preço é de 16€.


Podem também comprá-lo nas seguintes livrarias:


-Livraria Letra (Lisboa)


-Livraria Poetria (Porto)


-Tubo de Ensaio (Figueira da Foz)


-Letra 12 (Barreiro)


-Real Feytoria (Porto)


Caso prefiram, poderão entrar em contacto comigo para solicitar um exemplar, através do mail xarepesa@vodafone.pt


Espero que gostem da obra. Quaisquer críticas/questões/pedidos, estou à disposição através do e-mail indicado acima.


Sérgio Xarepe

sexta-feira, novembro 28, 2008

rush.

não sei como criar viagens no teu rosto azul e infantil. vejo a tua pele a saber a sal e apetece-me tocar-lhe, como se fosse um espelho em lágrimas onde o meu rosto se quebra em estilhaços estéreis

e damos-lhe um nome de criança.

toco-te as mãos para criar o calor febril de quem tem uma doença incurável a crescer no peito; sei que o teu nome já foi meu e mesmo assim chamei-te.

posso esvaziar os bolsos à procura de bilhetes, deitar fora as garrafas e os maços vazios, tirar o pó dos dedos para que escrevam

e mesmo assim o teu rosto vai saber a sal porque encaixas com perfeição no que resta da palma da minha mão.

domingo, novembro 23, 2008

V

acordas com os lábios secos a meio da noite. não sabes porquê.
acendes o cigarro à pressa porque queres adormecer e tens, colado aos olhos, o rosto que te surgiu durante o sono:

lembras a cor dos cabelos, os traços e a feição perfeita. até consegues sentir o cheiro nos dedos, misturado com o odor amargo do tabaco aceso.

molhas os lábios com a língua, passas a mão pelo rosto e sentes o teu respirar pesado, sôfrego, como se fosses implodir na penumbra, sem emitir qualquer som.

abres os olhos e ganhas a inevitável certeza que te diz a quem o filho pertence e qual o ventre que te espera na sala, sentada no sofá, com um olhar doce à tua espera

e um beijo de destino anónimo guardado lá dentro.

domingo, novembro 16, 2008

às vezes consegues sentir os sonhos na palma da mão.

e é quando tudo caminha para a rua certa que uma luz se apaga e mesmo assim consegues ver no meio da penumbra. vês um par de olhos de água, consegues ver o seu sorriso e pensas: "o que estarias a pensar?" e sabes que não terás resposta.

esperas com o corpo em repouso. recordas o calor das ilhas como se lá tivesses estado e sabes que há algo que não te poderão tirar: a criança que trazes cá dentro.

e abraças e dás a mão e acaricias para que sossegue mas, ao mesmo tempo, prendes-lhe a mão porque não queres que se vá embora.

terça-feira, setembro 23, 2008

Outros dias existem muitos

Ao caro leitor que por vezes se perde e encontra neste blog:

Tenho o prazer de informar que o livro "Outros dias existem muitos" será publicado em Outubro, numa data a confirmar posteriormente.

one more perfect day.

domingo, setembro 14, 2008

Equilíbrio

Pegas no controlo remoto que julgas ter sobre a vida e colocas em silêncio. Sentas-te meticulosamente a meio do sofá já gasto para teres o equilíbrio que por vezes escapa.

procuras palavras entre comentários desconhecidos e rostos onde não os há. "a tarefa de sentir é lixada".
- se não estiveres aí, não sei onde estou. o corpo procura uma direcção, um caminho com tabuletas estéreis onde tudo aquilo que a pele deita fora possa significar algo.

esqueces amigos porque deixas os dias passarem sob a pele, sem que lhes digas o que são ou o que tiveram. a tua voz escala paredes da casa mas é como se, no vácuo, não existisses:
tens cor, tens temperatura mas estás vazio.

perguntam-te: a quem te dás? e a resposta teima em ser igual. recordas discursos longos e poemas infrutíferos. tacteias os rostos que ainda queimam as pálpebras de vez em quando

tentar dormir é inútil, tens fantasmas que gritam nas tuas mãos.

e escreves. colocas-te agora à janela. Olhas para a casa como se estivesse vazia e apenas sentes que esta não é a tua casa.

obrigas-te a gostar dos cantos, das paredes, dos tapetes mas, mesmo assim, não é aqui que moras. o teu nome não está escrito à porta, os vizinhos não te conhecem, os lençóis não têm o teu cheiro.

é apenas um espaço oco e frio, onde o corpo se imiscui noutros corpos numa busca vã de amor, sem que o saibas soletrar. perdeste a voz quando começaste a viajar e nem as cidades sem nome conseguem fazer-te parar a procura

de um rosto com nome.

domingo, agosto 17, 2008

faces

As noites são as horas intermináveis de espera. respira-se sofregamente para que o suor se extinga

para que os medos desapareçam.

Relembras o gesto com as palavras à mistura. Estendes a mão em jeito de cumprimento - ficas na dúvida se o deverias ter feito.

a distância é grande e és notado pela personagem do conto de fadas.

a tua derme respira incessantemente como que a querer fugir de ti próprio: tens novamente um corpo dentro de ti a querer ocupar-te, a querer rasgar-te a pele para que não te reconheças mais.

dizes: já sabia o teu nome e o teu rosto antes de te conhecer

e acordas em sobressalto sabendo que não era real. os teus lábios estão secos, as tuas mãos tremem e contorcem-se porque a realidade é diferente e o calendário marca outro dia.

olhas para o lado e vês mais um nome para esquecer. sentes o cheiro a sexo em ti e nas paredes do quarto. não há sangue, não há carne espalhada.

apenas mais um rosto para esquecer enquanto tentas lembrar aquele que fugiu

this is the end of magic.

terça-feira, fevereiro 05, 2008

medo.

porque partiste há meses e nunca mais voltaste aqui?

usas a pele como ponte para o silêncio. vês rostos antigos passarem-te à frente mas o teu corpo está tão pesado que não consegues lá chegar

quis falar contigo quando nasceste

mas sei que não me entenderias. pensei: tenho tempo. afinal era engano: o tempo esgotou e continuas sem me entender.

sabes os gritos de cor, sabes as palavras que se usam em cada momento ou em cada maneira de sentir: sabes exactamente o passo a dar quando a tua mente se inebria com perfumes baratos em locais escuros.

- tudo o que querias era aquela música outra vez

e sabes que foste o primeiro mas de nada te vale. sabes que perduras e que ainda recordam o teu cheiro; sabes que quiseste partir para um sítio longe daqui porque, depois de algo tão grande, tudo te parece pequeno para te preencher.

há-de chegar o dia em que, no meio de tanta gente que te observa as rugas, te deparas com aquela que te vê apenas o medo.

terça-feira, novembro 27, 2007

essência

penduras no corpo as cruzes do dia que passou e pedes a gente conhecida que te olhe e te diga que não és invisível.

tens na voz o nervosismo da hora; o cansaço começa a apoderar-se das tuas memórias e apenas olhos reluzentes surgem, no meio de actos impensados e imberbes

depois de tudo, acordas.

metes as mãos à cabeça e afagas a barba como que a pedir perdão por não conseguires descansar. pedes ajuda em tons de surdez

e ninguém ouve

partes à procura de conversas imperceptíveis; prescrutas as ruas da cidade para lhe tomares o gosto e descobrires o seu nome. os olhos doem-te do esforço de ver

reconheces em todos rasgos de
mágoa e
de arrependimento

fazes-te à estrada sem olhares para as placas. não queres saber quilometragens ou direcções. caminhas sem fim e sem espírito: tudo o que eras ficou no quarto, preso à cama, momentos antes de fechares a porta.

quarta-feira, novembro 21, 2007

Já não te guardo raiva. sabes isso.

já não guardo em mim as fotografias que tirámos, as músicas que ouvimos, nada. guardo apenas o teu sorriso de quando te vi pela primeira vez. guardo apenas o teu primeiro olhar de quando desceste pelas escadas e soubeste que iria terminar, um dia.

sei de cor cada momento que aconteceu nesse dia. e ainda sei o teu nome como se fosse meu mas .. apenas isso. estás por aí, algures. deves estar bem porque as más notícias correm sempre mais depressa e essas ainda não me chegaram. espero também que tenhas alcançado a tua paz. a minha, essa, ainda está longe. existem imensas coisas que poderia dizer-te e que guardei durante anos. imaginei por diversas vezes se o teu sorriso está diferente, se o toque das tuas mãos ainda tem a mesma ternura ou o mesmo cheiro. guardo para mim a imagem que tenho de ver-te dormir. e essa não mostro a ninguém porque apenas eu vi. era eu que te velava o sono e agora já não. os nomes que escolhemos juntos já não se adequam aqueles que contigo crescerão e que vão aprender por ti o que é isto tudo: o mundo. e sempre disseste que eu tinha uma visão muito peculiar dele, quiçá especial. e eu sorria.

posso dizer-te que aquele que era contigo já não existe mais; que os olhos que te olhavam, doces, já não brilham da mesma maneira. hás-de, um dia, olhar para trás e sentir no teu peito o peso que tive no teu mundo. e se, por acaso, não conseguires respirar, será porque te falto e porque estou diferente.

já não tenho o mesmo nome que ouviste outrora. as minhas mãos já não escrevem como antes. as tuas sim. mas quero que guardes em ti a certeza de que foram estas mesmas mãos que escreveram no asfalto "amo-te" como se fosse eterno e são elas que hoje te dizem: já não te amo mais, fui embora.

segunda-feira, novembro 19, 2007

tinhas a janela à tua frente e ouvias orquestras para sossegar o silêncio.

a janela negra era como o teu rosto que acorda durante a noite, febril. abrias os olhos com palavras em voos picados pelo quarto, palavras que sobrevivem e se reproduzem no escuro da solidão jovem.

procuravas sons que as tuas mãos sabem criar mas já nada existia: havia pessoas lá fora. havia quem tentasse olhar pela janela: por curiosidade; para tentar esquecer as suas próprias casas ou simplesmente por desatenção.

mas vidros opacos são óptimos espelhos.

decidiste, então, lavar o vidro. semi-cerraste os olhos para que a luz não os magoasse ou para que todas aquelas imagens que sobram do mundo não te penetrassem pelas pupilas dilatadas, perturbando o sono que se apoderava de ti.

- as noites são tumultos e revoltas de nomes que teimaste em esquecer.

limpaste do vidro anos e dias de medo. o teu corpo tremia, os dedos já não circunscreviam a tua dor como antes. notaste um vulto acercar-se a ti. permaneceste por detrás do vidro mas a tua respiração tornara-se ofegante

suas e os ombros encolhem-se

receavas a voz que surgiria, o que diria ou os silêncios que traria consigo. o rosto negro assomou-se à tua janela e observaste apenas os seus lábios gretados pelo frio.

apenas conseguias dar atenção à derme mal cuidada, o cabelo descolorado e imperfeito. dentro da tua memória reconheceste feições similares. não sabes quem é.

procuraste e ainda procuras o nome que te crescia por debaixo da lingua, preso à pele e sem conseguir soltar-se de ti.

tens tudo escrito na tua pele apenas para que não tornes a dizer o mesmo.

tentaste abrir a janela mas apenas o vento entrou pelo quarto, arejando as folhas amarelecidas e gastas: perdeste o teu sorriso quando tentaste recordar quem foste.

quarta-feira, novembro 14, 2007

146

are you able to go back to the start ?

em silêncio, se ninguém te dirigir a palavra, consegues encontrar o caminho novamente para casa ? tens trocos no bolso para pagar o bilhete de autocarro que, anos mais tarde, encontrarás novamente no bolso e te fará recordar ?

naquele momento, entraste. olhaste o motorista, olhaste novamente para a casa que se fechou por detrás de ti e foste embora. não sabias se era a última vez. mas foste embora, mesmo assim.

voltaste uma e outra vez. continuas a passar lá, de quando a quando, a tentar provar a ti próprio que consegues esquecer um caminho que tantas vezes fizeste.

tinhas um farol que já ruiu.

e dás por ti a olhar para a frente enquanto o motorista - sempre ele - quase te grita aos ouvidos o preço do bilhete que sabes de cor. pagas, esqueces o nome, sentas-te lá para trás onde ninguém te vê e para que possas olhar à vontade, esqueces o sabor que trazes colado aos lábios

soletras as letras do seu corpo, baixinho, como se fosse este o momento em que lhe constróis o rosto - e apagas os mapas.

o autocarro parte. tu partes com ele mas, atrás de ti, bem à porta do nº 20, 4º esquerdo, ficaste tu. resta agora saber se vais voltar para que te reconheças novamente e saibas que já não és o mesmo que tantas vezes esperou, sentado, com frio, na paragem do 146.

sexta-feira, outubro 05, 2007

A guerra imortal.

perguntam-te: como estás?

e os lábios não sabem responder. procuras as tuas mãos de modo a poderes tornar sólido, em silêncio, tudo aquilo que se passa dentro de ti

encontras desenhos desconhecidos nas costas de outrém

usas sonhos que teimaste em não usar com mais ninguém: descobres em ti um sorriso inerte que incomoda e que implode

sentes a pele novamente a esticar-se, como se alguém te ocupasse por dentro, a crescer inevitavelmente

até que te rasgue a pele e ocupe o teu rosto

procuras os amigos para trocar algo que não sabes nomear. dizem-te: os teus ombros carregam o peso do mundo

reconheces, então, que sabes de cor todos os nomes, todas as faces e cicatrizes que criaste.

you can make me smile

tomas para ti a sensação do tempo diluído nas pálpebras, as mesmas que teimas em fechar quando olhas de frente o medo

o mesmo que nos faz criar máscaras em vez de pele ou mágoas em lugar de paz

há em ti uma guerra imortal

e tudo o que consegues sentir é a brisa leve, sentado na varanda sobre o mar, onde sabes que um dia te irão reconhecer.

domingo, setembro 09, 2007

falta sempre algo.

começas a noite a trocar insultos e procuras respostas onde os silêncios terminam. antevês a naturalidade das coisas como algo que já não existe

sentes a pele fria

procuras os copos com o mesmo aspecto, enches na mesmíssima medida que no dia anterior, troças novamente do barman de seu ar duvidoso e notas que isso já acontecera antes.

continuas a colocar os pés no mesmo sítio, ligeiramente emparelhados, como se fossem fios de cabelo que te corre pela face.

alguém se sente impotente e sabes que te olhas a ti próprio

apenas para saberes que tentas viver o que já viveste e sentes o espaço em falta.

quinta-feira, julho 12, 2007

perfect.

green flames invade your eyes

e de quando a quando o silêncio toma-te as mãos e faz-te escrever na insanidade. vais procurando, aos poucos, sorrisos que te relembrem de onde vieste

olhas para os braços e nada mais

mas tudo está rodeado de corpos sem voz e cabelos esbranquiçados.

noutras alturas conseguiríamos vaguear por entre jovens que passam pelas noites em branco. teríamos a rapidez dos répteis e a fala viperina das mulheres

seríamos perfeitos demais para o mundo que nos viu crescer

and sometimes you just want to write her down and you can't

porque alguns rostos que ainda consegues recordar se tornaram baços e desenhar olhos peles
dedos rectilíneos sem exactidão

é desnecessário

and yet your eyes are made of rain - a tua ausência denota o pouco tempo que perdes a folhear bússolas partidas em que o norte aponta para ti. s

terça-feira, julho 10, 2007

Não sei dizer de onde surgiram os muros que ergues no rosto. não consigo desenlear das mãos os finos nós que a tua garganta teceu quando

o meu corpo se te assomou.

os meus olhos são orlas liquídas e imperfeitas: a minha epiderme queima outros que teimam em pousar sem que os autorize. tenho guardado em mim o grito da juventude que te perdeu

e os caminhos sei-os de cor

mas sem que haja uma porta que se abra não há passos a dar. a esta hora o corpo dói e lateja porque o castigo é grande: a verdade arde mas não cura.

tens nomes que o mundo pretende esquecer; fotografias rasgadas pela sanidade e pelos dedos
embebidos em sangue

explodes apenas para ver o que trazes lá dentro

e uma leve brisa de ar sopra-te no rosto e notas que chegaste minutos tarde demais.

sexta-feira, julho 06, 2007

Mãos.

contornas de maneira rude o corpo que se te depara e que te adormece. deixas os sentidos ficarem à flor da pele

bem rente ao coração

e em vez de palavras gritas faces e gestos obscenos que teimaste em esquecer.
olhas as suas fotografias de quando a quando: recordas os cheiros os olhares e a sua cor
tens para ti bem presente o arrepio do precipício que eram as mulheres

e já nem sabes sequer os seus nomes.
perdes o que de ti ganhaste nos últimos anos: estás velho, tens tatuado no corpo olhos sem rasto que te fitam e que te ultrapassam apenas

para te mostrar

o que de bom existia e que deixaste de semear.

quarta-feira, junho 13, 2007

Fósforo.

por vezes as mãos sangram o pouco que resta da sanidade. todos os dias há um pedaço de ti que se perde nos copos, nos liquídos, nas carnes sem roupa e sem nome.

e por andares perdido encontras rostos ausentes a quem um dia chamaste algo íntimo.

aí surgem nos olhos suores frios e palavras que antes não sabias soletrar.

sabes que partiu

e mesmo assim procuras encurtar distâncias para saber por onde foi, quanto tempo demorou ou se sorriu quando lá chegou.

a uma qualquer cidade sem mapa.

depois, ambos se deitam, no mesmo momento, em lençóis diferentes e frios: tornas teu o seu sorriso e sorris também. a tua pele aquece ao sentir que, algures, ela também toca a sua pele.

passas a mão pelo rosto para sentires que não estás louco

e decides caminhar para fora de ti para não teres o medo que ela teve por saberes que te vais abandonar.